Draft:PST Art
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PST ART (anteriormente denominado Pacific Standard Time) é um programa cultural recorrente e descentralizado dedicado às artes visuais, realizado por museus, universidades e outras organizações culturais do sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Criado e financiado pelo Getty, o programa articula exposições, publicações, encomendas artísticas, performances e atividades públicas em torno de um tema comum. Embora seja frequentemente descrito como um festival ou megaevento, não possui uma única sede: cada instituição participante desenvolve seu próprio projeto curatorial, enquanto o Getty concede financiamento, coordena a pesquisa e promove a programação conjunta.[1]
O programa teve três edições principais até 2025: Pacific Standard Time: Art in L.A. 1945–1980 (2011–2012), dedicada à arte produzida em Los Angeles no pós-guerra; Pacific Standard Time: LA/LA (2017–2018), voltada aos diálogos entre a arte latino-americana, latina e a cidade; e PST ART: Art & Science Collide (2024–2025), sobre as intersecções entre arte e ciência. Em 2013, o Getty também organizou o programa intermediário Pacific Standard Time Presents: Modern Architecture in L.A.. Uma nova edição, centrada nos intercâmbios entre Los Angeles e a região do Oceano Pacífico, foi anunciada para 2030.[1][2]
Segundo o Getty, as três primeiras edições principais reuniram mais de duzentas exposições, 120 publicações e milhares de programas públicos e apresentações. Em 2023, a instituição adotou a forma abreviada PST ART — que explicita o caráter artístico do projeto e evita a confusão com o fuso horário do Pacífico — e anunciou a intenção de realizar o evento a cada cinco anos.[1][3]
Origem e modelo de colaboração
[edit]O projeto começou no início da década de 2000 como uma iniciativa de pesquisa e preservação do Getty Research Institute. Seu objetivo inicial era localizar arquivos, registrar depoimentos e evitar a perda de fontes sobre a história da arte de Los Angeles depois da Segunda Guerra Mundial, ainda pouco incorporada às narrativas dominantes da arte estadunidense. A partir de 2003, o Getty financiou levantamentos em acervos; em 2008, concedeu recursos para pesquisa e planejamento de exposições; e, entre 2009 e 2011, apoiou sua implementação. A iniciativa documental resultou no processamento de arquivos em treze instituições e em cerca de 350 entrevistas de história oral.[4]
Durante a preparação da primeira edição, o projeto foi ampliado para incluir instituições de diferentes portes em toda a região. Esse desenho colaborativo tornou-se a principal característica do PST ART. O Getty distribui subsídios em duas etapas — pesquisa e planejamento, seguidos da produção das exposições e programas —, mas as organizações parceiras mantêm autonomia curatorial. Participam desde grandes museus, como o Museu de Arte do Condado de Los Angeles (LACMA), o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (MOCA) e o Hammer Museum, até arquivos, centros universitários, museus comunitários e espaços especializados.[1][5]
O âmbito geográfico também se expandiu. Na edição de 2024, podiam participar organizações dos condados de Los Angeles, Orange, San Diego, Ventura, Santa Bárbara, Riverside, San Bernardino e Imperial.[6]
Edições e programas
[edit]Art in L.A. 1945–1980 (2011–2012)
[edit]A primeira edição pública, Pacific Standard Time: Art in L.A. 1945–1980, reuniu 68 exposições e programas relacionados em mais de sessenta instituições. Realizada ao longo de 2011 e 2012, apresentou movimentos, comunidades e meios artísticos que haviam se desenvolvido na Califórnia meridional entre o fim da Segunda Guerra Mundial e 1980. Além das exposições, foram publicados quarenta livros e catálogos.[4][7]
Entre os projetos de maior repercussão esteve Now Dig This! Art and Black Los Angeles 1960–1980, no Hammer Museum, que examinou a produção de artistas negros no contexto dos movimentos pelos direitos civis e do Black Power. A exposição reuniu cerca de 140 obras e destacou artistas como Charles White, Betye Saar, David Hammons, Noah Purifoy, Senga Nengudi, Maren Hassinger, Melvin Edwards e Ulysses Jenkins.[8] No MOCA, Under the Big Black Sun: California Art 1974–1981 reuniu aproximadamente quinhentos objetos de 130 artistas para abordar as transformações políticas e culturais do período.[9]
Outras exposições recuperaram a atuação do coletivo chicano Asco, a história feminista do Woman's Building, o movimento Light and Space, a cerâmica californiana, a arte conceitual e o design moderno. Entre os artistas abordados por diferentes instituições estavam Judy Chicago, Suzanne Lacy, Miriam Schapiro, Robert Irwin, James Turrell, Mary Corse, Ed Ruscha, David Hockney, Vija Celmins, Ken Price, Michael Asher e Paul McCarthy.[5]
Uma das exposições de síntese, Pacific Standard Time: Crosscurrents in L.A. Painting and Sculpture, 1950–1970, reuniu gerações e linguagens que ajudaram a definir a arte do pós-guerra na costa oeste. A seleção incluiu John Baldessari, Peter Alexander, Larry Bell, Billy Al Bengston, Vija Celmins, Judy Chicago, Mary Corse, Ronald Davis, Richard Diebenkorn, Melvin Edwards, Frederick Eversley, Sam Francis, David Hockney, Edward Kienholz, John McCracken, Bruce Nauman, Noah Purifoy, Betye Saar, Ed Ruscha, Ken Price, Helen Lundeberg, De Wain Valentine e outros. Em lugar de propor uma única “escola de Los Angeles”, a mostra aproximou abstração geométrica, assemblage, figuração, resina, luz, cultura automobilística e referências à indústria aeroespacial.[10][11]
O núcleo de arte baseada em percepção foi aprofundado em Phenomenal: California Light, Space, Surface, do Museum of Contemporary Art San Diego. A exposição apresentou Peter Alexander, Larry Bell, Ron Cooper, Mary Corse, Robert Irwin, Craig Kauffman, John McCracken, Bruce Nauman, Eric Orr, Helen Pashgian, James Turrell, De Wain Valentine e Douglas Wheeler. Esses artistas recorreram a luz natural e artificial, acrílico, resina, superfícies refletoras e instalações que modificavam a percepção corporal do espaço.[12]
A produção chicana recebeu atenção em diferentes projetos. O LACMA organizou a primeira retrospectiva do Asco, formado em seu núcleo por Harry Gamboa Jr., Gronk, Willie F. Herrón III e Patssi Valdez. O coletivo havia transformado protesto, fotografia encenada, performance urbana e os chamados No Movies em respostas à violência policial, à Guerra do Vietnã e à exclusão de artistas mexicano-americanos dos museus.[13] Mapping Another L.A.: The Chicano Art Movement, no Fowler Museum, e mostras dedicadas a Oscar Castillo, Sandra de la Loza e à geração mexicano-americana ampliaram esse panorama.[14]
Em Doin’ It in Public: Feminism and Art at the Woman’s Building, a história do espaço feminista fundado por Judy Chicago, a designer Sheila Levrant de Bretteville e a historiadora Arlene Raven foi reconstruída por meio de obras, vídeos e arquivos. Além das fundadoras, o projeto abordou práticas de Miriam Schapiro, Faith Wilding, Suzanne Lacy, Betye Saar, Cheri Gaulke, Leslie Labowitz-Starus, Susan Mogul, Jerri Allyn e integrantes do L.A. Women’s Video Center. A exposição mostrou como pedagogia, produção editorial, performance e organização coletiva foram empregadas contra a violência de gênero e a marginalização de mulheres no sistema artístico.[15][16]
Cinema e fotografia também integraram o programa. L.A. Rebellion: Creating a New Black Cinema recuperou o movimento de cineastas negros formado na Universidade da Califórnia em Los Angeles, associado a Charles Burnett, Julie Dash, Haile Gerima, Billy Woodberry, Barbara McCullough, Alile Sharon Larkin, Larry Clark e Ben Caldwell.[17] No Getty, In Focus: Los Angeles, 1945–1980 reuniu trabalhos de Garry Winogrand, Robert Heinecken, Judy Fiskin, Anthony Hernandez e Anthony Friedkin, entre outros, em torno da arquitetura vernacular, da cultura automobilística, da indústria cinematográfica e da fotografia experimental.[18]
Modern Architecture in L.A. (2013)
[edit]Em 2013, o Getty realizou Pacific Standard Time Presents: Modern Architecture in L.A., programa de menor escala voltado à arquitetura moderna da cidade. Nove exposições e seus programas associados trataram do crescimento metropolitano, da habitação, da preservação e de arquitetos como A. Quincy Jones, Frank Gehry, Thom Mayne e Peter Zumthor. O projeto gerou cinco publicações e ampliou o arquivo audiovisual do Southern California Institute of Architecture (SCI-Arc), que passou a disponibilizar mais de mil horas de palestras e debates.[19] O programa é geralmente tratado como uma iniciativa intermediária, enquanto o Getty enumera as edições de 2011–2012, 2017–2018 e 2024–2025 como os três primeiros ciclos principais do PST ART.[1]
LA/LA (2017–2018)
[edit]Pacific Standard Time: LA/LA examinou as relações entre Los Angeles e a América Latina, bem como as experiências latinas nos Estados Unidos. O título condensava a expressão Latin American and Latino Art in Los Angeles. Mais de setenta exposições e programas públicos foram realizados entre 2017 e 2018, acompanhados por sessenta novas publicações; quase vinte mostras viajaram posteriormente para Argentina, Brasil, Colômbia e México.[20]
No Hammer Museum, Radical Women: Latin American Art, 1960–1985 reuniu 120 artistas e coletivos de quinze países. A mostra investigou como artistas mulheres recorreram ao corpo e a linguagens experimentais em contextos marcados por ditaduras, desigualdade e resistência política. Entre as participantes estavam Lygia Clark, Lygia Pape, Ana Mendieta, Marta Minujín, Zilia Sánchez, Feliza Bursztyn, Letícia Parente, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Gego, Cecilia Vicuña, Liliana Porter, Lotty Rosenfeld, Mónica Mayer, Teresa Burga, María Evelia Marmolejo, Catalina Parra, Regina Silveira, Marisol, Victoria Santa Cruz e o coletivo Polvo de Gallina Negra.[21][22]
No LACMA, Home—So Different, So Appealing apresentou cerca de cem trabalhos de quarenta artistas, incluindo Antonio Berni, Abraham Cruzvillegas, León Ferrari, Beatriz González, Félix González-Torres, Guillermo Kuitca, Gordon Matta-Clark, Amalia Mesa-Bains, Raphael Montañez Ortiz, Doris Salcedo, Laura Aguilar, Carmen Argote, Ramiro Gomez e Salomón Huerta, em torno das noções de casa, pertencimento e deslocamento.[23]
No Getty, Making Art Concrete: Works from Argentina and Brazil in the Colección Patricia Phelps de Cisneros combinou história da arte e análise científica dos materiais empregados pela vanguarda concreta e neoconcreta. A exposição reuniu trabalhos de Lygia Clark, Hélio Oiticica, Willys de Castro, Judith Lauand, Raúl Lozza, Rhod Rothfuss e outros artistas; a pesquisa associada também discutiu Geraldo de Barros, Waldemar Cordeiro, Hermelindo Fiaminghi e Tomás Maldonado. Exames técnicos de tintas, suportes e métodos de aplicação foram usados para compreender como esses artistas aproximaram geometria, indústria, cor e participação corporal.[24][25]
Axis Mundo: Queer Networks in Chicano L.A., organizada pelo ONE Archives em colaboração com o MOCA, mapeou redes de colaboração entre artistas chicanos e artistas LGBT de Los Angeles do final dos anos 1960 ao início dos anos 1990. Com mais de cinquenta participantes, a exposição relacionou arte postal, fotografia, performance, punk, moda, publicações feministas e respostas à crise da AIDS. Entre os nomes apresentados estavam Laura Aguilar, Judith Baca, Carlos Almaraz, Alice Bag, Vaginal Davis, Pauline Oliveros, Genesis P-Orridge, Zoe Leonard, Mundo Meza, Ray Navarro, Joey Terrill, Roberto Gil de Montes, Gronk, Patssi Valdez, Faith Wilding, Johanna Went, Phranc e o próprio Asco.[26]
Luiza Prado e Carlos Martiel
[edit]Os artistas Luiza Jesus do Prado e Carlos Martiel participaram de Deconstructing Liberty: A Destiny Manifested, exposição do Muzeo Museum and Cultural Center, em Anaheim, integrante oficial do Pacific Standard Time: LA/LA. Realizada de 5 de agosto a 15 de outubro de 2017 e curada por Marisa Caichiolo, a mostra reuniu performance, instalação, vídeo e fotografia para questionar as ideias de liberdade, identidade coletiva, fronteira e poder político nas Américas. Prado, artista brasileira transdisciplinar nascida em 1988, e Martiel, performer cubano, figuraram entre os participantes ao lado de Eugenia Vargas Pereira, Norton Maza, Leonardo González, Ángel Delgado, Omar Pimienta, Reynier Leyva Novo, Betsabeé Romero, Linda Vallejo, Andrea Juan, Ricardo Rodríguez e outros artistas latino-americanos e latinos.[27][28]
A inclusão de Prado e Martiel relacionava suas práticas a uma investigação mais ampla sobre a construção histórica da liberdade. A documentação do Muzeo descreveu Prado como uma artista que trabalha com fotografia, performance, vídeo, instalação, escultura e novas mídias, abordando memória, violência, trauma e questões sociopolíticas. Martiel, conhecido por submeter o próprio corpo a situações de duração, contenção ou vulnerabilidade, desenvolve performances sobre raça, migração e relações de poder.[28]
Art & Science Collide (2024–2025)
[edit]A terceira edição principal marcou a adoção pública do nome PST ART. Sob o tema Art & Science Collide, mais de setenta organizações apresentaram, entre setembro de 2024 e o primeiro semestre de 2025, mais de sessenta exposições e numerosos programas. A edição envolveu mais de oitocentos artistas e aproximou museus de arte de instituições científicas como o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), o Jet Propulsion Laboratory da NASA, o Birch Aquarium e o Scripps Institution of Oceanography.[29]
As exposições trataram de temas como mudança climática, inteligência artificial, astronomia, medicina, tecnologia indígena, ecologia, urbanização e história das imagens científicas. Entre os artistas apresentados ou comissionados estavam Cai Guo-Qiang, Olafur Eliasson, Mel Chin, Carolina Caycedo, Nancy Baker Cahill, Cannupa Hanska Luger, Tavares Strachan e Beatriz da Costa.[29][30] A exposição de Cai, A Material Odyssey, examinou quatro décadas de experiências do artista com pólvora e pirotecnia, relacionando sua prática à ciência dos materiais e à história da pólvora.[31]
No Hammer Museum, Breath(e): Toward Climate and Social Justice reuniu mais de cem obras de 25 artistas para aproximar crise climática, desastres antropogênicos, desigualdade e justiça ambiental. Participaram Mel Chin, Ron Finley, Cannupa Hanska Luger, Garnett Puett, Lan Tuazon, Ryoji Ikeda, Mika Tajima, Yoshitomo Nara, LaToya Ruby Frazier, Otobong Nkanga, Clarissa Tossin, Xin Liu e Tiffany Chung, entre outros. Algumas das obras foram comissionadas especificamente para a exposição.[32][33]
A relação entre ciência, sexualidade e produção normativa do corpo foi o tema de Scientia Sexualis, no Institute of Contemporary Art, Los Angeles. A mostra reuniu artistas que questionam a história da ginecologia, a patologização de corpos sexuais, a violência colonial e a classificação não consentida de pessoas trans e intersexo. A seleção incluiu Louise Bourgeois, Nicole Eisenman, Nao Bustamante, Wangechi Mutu, Candice Lin, Carlos Motta, Jes Fan, Panteha Abareshi, Xandra Ibarra, P. Staff, Cauleen Smith, Joey Terrill, Chris E. Vargas, Young Joon Kwak e Gala Porras-Kim.[34]
No Autry Museum of the American West, Future Imaginaries: Indigenous Art, Fashion, Technology abordou o futurismo indígena como estratégia de enfrentamento ao trauma colonial e de elaboração de futuros sustentáveis. Entre os artistas estavam Wendy Red Star, Jeffrey Gibson, Cara Romero, Virgil Ortiz, Andy Everson, Ryan Singer e Neal Ambrose-Smith. Um desfile relacionado, realizado no Getty, apresentou criações de Jason Baerg, Orlando Dugi, Jontay Kahm, Caroline Monnet e Jamie Okuma.[35][36]
O LACMA organizou ainda Digital Witness: Revolutions in Design, Photography, and Film, com mais de 150 trabalhos sobre os efeitos das ferramentas digitais na fotografia, no design gráfico e no cinema desde os anos 1980. A exposição incluiu obras ou projetos associados a Andreas Gursky, Thomas Ruff, Rafael Lozano-Hemmer, John Maeda, Casey Reas, Takeshi Murata, Rosa Menkman, Martine Gutierrez, LaJuné McMillian, April Greiman e às equipes de efeitos visuais de filmes e videoclipes. Dessa forma, o programa incorporou tanto a arte digital experimental quanto a transformação tecnológica da cultura visual de massa.[37]
O evento de abertura, WE ARE: Explosion Event for PST ART, de Cai Guo-Qiang, combinou fogos de artifício, drones e imagens desenvolvidas com inteligência artificial no Los Angeles Memorial Coliseum. A queda de resíduos sobre parte do público causou ferimentos leves e atendimento de primeiros socorros; posteriormente, o artista manifestou preocupação com o resultado e o Getty informou que investigaria o ocorrido.[38][39]
Edição de 2030
[edit]Em março de 2026, o Getty anunciou que a quarta edição principal seria realizada em 2030, com projetos dedicados aos intercâmbios artísticos e culturais entre Los Angeles e os países e comunidades da orla do Pacífico. Entre os eixos propostos estão migração, comércio, geopolítica, circulação de objetos, diálogos entre a arte asiática e a arte de Los Angeles, arquitetura japonesa e cultura popular coreana. Justine Ludwig foi nomeada a primeira diretora criativa permanente do PST ART, com a responsabilidade de trabalhar com as instituições participantes na elaboração do ciclo.[2][40]
Alcance e impacto
[edit]A escala regional do PST ART permitiu que pesquisas de longo prazo fossem convertidas em exposições, arquivos digitais, histórias orais e publicações acadêmicas. Na primeira edição, o processamento de acervos e as centenas de entrevistas ajudaram a tornar acessíveis fontes sobre movimentos e comunidades pouco documentados.[4] Na edição LA/LA, a circulação internacional de quase vinte exposições ampliou a difusão dos projetos para instituições latino-americanas.[20]
Estudos encomendados pelo Getty à Los Angeles County Economic Development Corporation estimaram impactos econômicos expressivos. A edição de 2011–2012 teria atraído cerca de 1,8 milhão de visitas e produzido US$ 280,5 milhões em atividade econômica na Califórnia meridional, além de sustentar aproximadamente 2.490 empregos.[41] Para LA/LA, o estudo estimou 2,8 milhões de visitas, US$ 430,3 milhões em produção econômica e 4.080 empregos.[42] Como esses números provêm de estudos comissionados pela própria organização financiadora, são apresentados como estimativas, e não como medição independente definitiva.
Sustentabilidade
[edit]Em consonância com o tema científico da edição de 2024–2025, o Getty financiou a coleta de dados ambientais de quarenta exposições. Entre pouco mais da metade dos projetos que informaram todas as suas emissões, o total calculado foi de 2.167 toneladas de dióxido de carbono equivalente. Viagens aéreas e transporte aéreo de obras apareceram entre as principais fontes de emissão; o relatório estimou que a substituição do frete aéreo pelo marítimo, quando possível, poderia reduzir em 18% as emissões declaradas. Oitenta por cento das organizações participantes do levantamento adotaram medidas de redução de resíduos, cinco exposições afirmaram não ter enviado materiais para aterros e três usaram apenas materiais reutilizados ou reciclados.[43]
Recepção crítica
[edit]A primeira edição foi recebida como uma intervenção na historiografia da arte estadunidense, tradicionalmente concentrada em Nova Iorque. A revista Frieze observou que o programa tornou visíveis arquivos, comunidades e movimentos californianos que haviam recebido pouca atenção institucional, mas também registrou críticas ao caráter promocional da iniciativa, à dispersão geográfica das exposições e à ênfase nos anos 1960 e 1970, apesar do recorte anunciado a partir de 1945.[5] A amplitude do evento foi simultaneamente considerada uma força — por permitir múltiplas narrativas — e uma dificuldade prática para o público, que precisava percorrer dezenas de instituições em vários condados.
Ao avaliar a edição de 2024, o Los Angeles Times comparou sua escala à de uma “Olimpíada da arte” da Califórnia meridional e destacou tanto a ambição intelectual quanto o caráter potencialmente avassalador de uma programação espalhada por toda a região.[44] A incorporação de arte chicana, negra, feminista, latino-americana e de outras comunidades historicamente marginalizadas é apontada como uma das contribuições do programa; críticos, porém, questionam se essa visibilidade temporária se traduz em políticas duradouras de aquisição, pesquisa e exposição nas instituições participantes.[5]
Ver também
[edit]Referências
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Ligações externas
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